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Pelo direito das mulheres de viver a juventude!

Na semana do Dia Intenacional da Mulher, mais um artigo discute a importância da luta feminista, coroada nos 100 anos do estabelecimento do 8 de março. Aqui, a secretária estadual da JPT-MG, Ana Pimentel, discute o direito das mulheres à juventude e os direitos das mulheres jovens.

Ana Cristina Pimentel *

100 anos do  “8 de março”  enquanto dia de  luta das mulheres. Existem diversas histórias relacionadas a essa data. O mais comentado é um possível incêndio em Nova York ,  greve por mais direitos… O fato é que tratou-se de uma opção política das mulheres socialistas, em Congresso, unificando um dia de luta…

A data ultrapassou  grandes momentos, encabeçou muitos enfrentamentos políticos, sociais e econômicos.  Superou desafios, acumulou conquistas e direitos… Aos 100 anos, podemos dizer, muita coisa mudou. Precisamos apontar que a vida das mulheres sofreu uma grande transformação.

Mas sigamos com cautela, não é tempo de comemorações….

Sabemos que as desigualdades permanecem. E hoje também é dia de darmos destaque e visibilidade aos dados alarmantes. A Globo noticiou no “globo.com”: “Mais qualificadas, mulheres continuam ganhando menos que os homens, diz IBGE”. Mais precisamente, as mulheres recebem “72%” do salários dos homens, em média. No jornal de domingo, no caderno “Boa Chance”, a manchete diz “Explode o assédio. Denúncias cresceram 723% no Rio nos últimos 5 anos”. Sabemos que não trata-se de uma questão regional.

Nesse mesmo sentido, os casos de abortos clandestinos – e mortes relacionados aos mesmos – permanecem subindo; as mulheres continuam responsáveis solitárias pelo trabalho “doméstico”.  A violência contra a mulher ainda existe e é praticada por membros de sua própria família.  As mulheres permanecem excluídas dos espaços de decisão e poder da sociedade.

Bom, precisamos também falar da tão aclamada e desejada “feminilidade”.  Tal termo está relacionado a um modelo existencial para todas as mulheres, mas dirige-se notadamente para as mulheres jovens. Constrói uma rede de exigências para se chegar ao título “feminina”,  que deve ser o ideal de todas.  Para além da estética, envolve um comportamento determinado.

Quase uma fantasia. Elas  precisam se “vestir” daquilo que é esperado delas. Precisam correr o dia todo, dar conta do estudo, associado ao trabalho.  Devem andar mascaradas – ops! Muito maquiadas – além  de utilizarem todos os tipos de apetrechos necessários para se transformarem verdadeiramente em “mulheres jovens”. Afinal de contas, ser mulher jovem é uma construção social definida pela quantidade de cosméticos, utensílios estéticos e disponibilidade para o desejo, principalmente sexual, do outro. Ah! Sim… com muito rosa pois essa é a cor da “feminilidade”.

A realidade é dura e opaca. Está em oposição à  plastificação estética exigida. Não vem  revestida. As mulheres jovens são maioria no emprego precarizado, postos temporários, setor de telemarketing, profissões relacionadas a estética, setor terciário. Assumem cada vez mais novas o trabalho doméstico. A gravidez precoce permanece uma questão nas suas vidas.

Em razão desse contexto, vivem em constante insegurança. Suas vidas também são marcadas por uma permanente insatisfação e ansiedade, diante das exigências inalcançáveis. Não disponho de estatísticas, mas cada dia “novas” doenças surgem, diretamente relacionadas às mulheres. A bulemia, anorexia e transtornos de ansiedade, são bosn exemplos.

Renovamos nossos sonhos a partir do governo Lula. A juventude tornou-se um direito. E, nesse 8 de março, queremos afirmar o direito das mulheres à juventude!  Aos 100 anos reafirmamos que o desafio para a construção da igualdade permanece político.

Defendemos uma agenda que caminhe progressivamente para a postergação da entrada precoce ao mercado de trabalho; acesso a educação e a cultura. Para tanto, alguns passos são fundamentais: uma efetiva política de assistência estudantil; creches; meia entrada para toda a juventude; legalização do aborto; regulamentação dos meios de comunicação. Tudo isso combinado com uma política efetiva de inclusão das mulheres em todos os espaços de direção política.

* Ana Cristina Pimentel é secretária estadual da Juventude do PT de Minas Gerais.

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