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Socialismo, um projeto do século XIX ao século XXI e as experiências do século XX

No terceiro período da etapa de formação do nosso curso abordaremos o tema do título a partir da leitura do trecho que trata das particularidades históricas da revolução proletária do livro: “A Teoria Leninista da Organização” de Ernest Mandel

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A Teoria Leninista da organização
As particularidades históricas  da Revolução proletária
Ernest Mandel

Diferentemente e em oposição a todas as revoluções passadas, tais como a revolução burguesa cuja lógica foi profundamente estudada – em primeiro lugar por Marx e Engels—ou revoluções que não foram submetidas ate o momento a uma analise sistemática ( tais como as revoluções camponesas e as da pequena burguesia das cidades contra o feudalismo; as revoltas de escravos e as insurreições de comunidades tribais contra a sociedade esclavagista, as revoluções camponesas no seio dos antigos modos de produção asiático que se dissolviam periodicamente , etc…) a revolução proletária  do séc. XX caracteriza-se por quatro aspectos distintos que lhe conferem a sua especificidade, mas que determinam também a sua dificuldade, como Marx o presentiu(1).

1- A revolução proletária é a primeira revolução na historia que é lavada a cabo pela classe mais inferior da sociedade, uma classe que, dispõe de um poder econômico potencial gigantesco mas de uma força econômica real das mais reduzidas e que esta excluído completamente de toda a participação na riqueza social ( em oposição à possessão de bens de consumo constantemente consumidos). Contrariamente, por exemplo, a burguesia ou a nobreza feudal, em que o poder econômico no seio da sociedade estava já, efetivamente , entre as suas mãos ou dos escravos que não conseguiram nenhuma revolução vitoriosa.

2- A revolução proletária é a primeira revolução vitoriosa que tem como objetivo uma subversão planificada e consciente da sociedade existente, quer dizer, não visa restaurar uma situação passada ( como aconteceu com a revolução de escravos ou camponeses no passado), mas realizar um processo totalmente novo que jamais existiu a não ser sob a forma de teoria e de programa(2).

3- Exatamente como todas as revoluções sociais na historia , a revolução proletaria desenvolve-se a partir de contradições de classe internas e de lutas de classe geradas pela sociedade existente. Mas contrariamente às revoluções do passado que se contentavam em impulsionar a luta de classe ate ao seu ponto culminante- pois não se trava de instaurar relações sociais totalmente novas e conscientemente planificadas – a revolução proletária só se pode realizar com a condição de a luta de classe proletária chagada ao seu ponto culminante se modificas num longo processo de transformações sistemáticas  e consciente as relações humanas primeiramente por uma generalização da atividade proletária, em seguida por uma atividade autônoma de todos os membros da sociedade em direção à sociedade sem classes. Enquanto a vitória da revolução brguesa transforma a classe burguesa em uma classe conservadora, que já não pode realizar transformações revolucionarias a não ser apenas no domínio técnico industrial e desempenha nesse aspecto, e durante um certo tempo, um papel objetivamente progressista na historia, mas que se retira pelo contrario, da esfera das transformações ativas da vida social e, nesse aspecto desempenha um papel cada vez mais reacionário , chocando-se com o proletariado que explora , a tomada do poder pelo proletariado não marca o fim mas apenas o inicio da atividade da classe moderna que transforma a sociedade e cuja atividade cessara apenas quando se supera, enquanto classe paralelamente à de todas as outras classes(3).

4-  Contrariamente a todas as revoluções sociais de passado que se desenvolveram quase exclusivamente no quadro nacional ( ou se limitavam a regiões ) a revolução proletária é uma revolução, pela sua própria natureza internacional; só estará consumada pela edificação universal de uma sociedade sem classes. Embora deva necessariamente triunfar em primeiro lugar em um quadro nacional, esse vitória será, contudo , provisória enquanto a luta da classe não infligir uma derrota decisiva ao capital, à escala mundial, o que ao se realiza, contudo , de maneira linear nem de maneira unificada. A cadeia imperialista rompe-se, primeiramente , no seu elo mais fraco e o movimento por saltos de Ascenso ou recuo da revolução correspondente à lei de desenvolvimento desigual e combinado( não apenas um domínio econômico mas também na relação de forças entre as classes; um e outro não coincidem de modo algum automaticamente).

A teoria leninista da organização assimila todas essas particularidades da revolução proletária ,quer dizer,  determina as características dessa revolução, entre outras, à luz das particularidades e contradições da formação da consciência de classe proletária. Exprime abertamente aqulo que Marx esbossara apenmas e que seus epigonos compreendiam muito pouco, isto é, que não pode haver nem derrube “ automático” da ordem social capiutalista nem substituição “ espontânea” desta ordem social por uma sociedade socialista. A vitória da revolução proletária pressupõe desde logo, que  quer os fatores “ objetivos” (crise social profunda que exprime o fato de um modo de produção capitalista ter cumprido a sua missão histórica) quer os fatores “ subjetivos” ( maturidade da consciência de classe proletária e maturidade da sua direção) favoreçam o derrube. Se estes fatores objetivos não existem ou estão insuficientimente presente, a revolução proletária fracassara neste obstáculo, e a sua própria derrota contribuira para a consolidação, por um certo período, da economia e da sociedade capitalista.

A teoria leninista da organização marca um aprofundamento do marxisimo aplicado aos problemas fundamentais da estrutura social ( Estado, consciência de classe, ideologia, partido).
Constitui, com os trabalhos de Luxemburgo e de Trotsky ( e num certo sentido de Lukacs e de Gramisci) o marxismo do fator subjetivo.

(…)


1 Também nesse sentido deve-se compreender a famosa observação de Marx no principio do 18 Brumario de Luis Bonaparte, onde se sublinha o caráter de auto critica da revolução proletária. Marx fala nesse contexto da “ imensidade infinita dos seus próprios objetivos” cf. K.Marx, 18 Brumaire de Luis Bonaparte, Ed. Sociais, paris 1963 pag 17.

2 Marx e Engels dizem no “ minifesto Comunista” que os comunistas “ não estabelecem princípios particulares através dos quais quereriam modelar o movimento operário”. Na Edição inglesa de 1888, Engels substituiu o adjetivo “particular” por “sectário “. Exprime, assim, que o socialismo cientifico tenta incontestavelmente dar ao movimento operário principos “ particulares”, mas apenas os que são produto objetivo do curso geral da luta de classe proletária, isto é, da historia contemporânea viva e não os que pertencem ao “ patoá de Chanaan” desta ou aquela seita, isto é , um aspecto puramente fortuito da luta de classes proletária.

3 Essa idéia formulada sem qualquer ambigüidade por Trotsky na introdução da primeira edição russa do seu livro “A Revolução Permanente” ( Permanent Revolution, New park Publications, 1962 p. 8-9). M ao Tse Tung desenvolveu igualmente essa idéia. Idéia completamente oposta é a de um “ modo de produção socialista”, ou mesmo de um “ socialismo com sendo um sistema social desnvolvido”, idéia segundo a qual a primeira fase do comunismo é considerada como uma coisa fixa e não como uma fase transitória de desenvolvimento revolucionário permanente do capitalismo ao socialismo.

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