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Chapa única da esquerda petista: discurso fácil, difícl construção

Reproduzimos abaixo a carta que nos foi enviada pelas correntes Brasil Socialista e Fórum Socialista a respeito das movimentações da esquerda petista em torno da construção de chapa e candidatura unitária da esquerda partidária para a disputa do Processo de Eleição Direta (PED) do PT.

Compartilhamos de muitas das preocupações dos companheiros e trabalharemos juntos para que o processo de unificação da esquerda avançe.

Chapa única da esquerda petista: discurso fácil, difícil construção.

As coordenações das correntes, Brasil Socialista e Fórum Socialista se dirigem ao conjunto da esquerda petista para compartilhar nossas preocupações com o futuro da chapa única que todos dizemos defender para PED/2005 e para as tarefas da nossa unidade de ação no atual momento da vida partidária e dos movimentos sociais.

 

Acreditamos que a unidade da esquerda petista será o que de melhor poderemos produzir neste momento de crise política e ideológica que atinge a militância petista, resultado do inconformismo e do desencanto como os rumos do governo Lula e de nosso partido. O PED nos dará oportunidade de dialogar amplamente com a base militante e filiada do PT sobre alternativas de esquerda para a condução do governo e do Partido, com todas as limitações que o processo impõe, mas como toda a potencialidade que o debate interno e sua repercussão pública carregam.

 

Nosso entendimento, uma chapa única da esquerda petista sinaliza com mais vigor para a resistência que, mesmo à margem das correntes orgânicas do Partido, se verifica na militância nos movimentos sociais e no pensamento crítico da intelectualidade e nos setores formadores de opinião. Mais  do que a afirmação de cada corrente, o que possibilita uma chapa única no PED é a visibilidade de uma chama, de uma alternativa de resgate do projeto socialista e democrático do PT para além da dura realidade atual.

 

Essa idéia é tão forte que não há quem não a defenda. Todas as correntes e grupos de esquerda têm resoluções recentes que apontam no sentido. De nossa parte, temos procurado participar das iniciativas que congregam a esquerda petista e colaborar com o sucesso das articulações visando essa unidade. Temos defendido também que o PED é apenas um momento dessa unidade, que precisa consolidar-se para dar conta das tarefas que temos na luta social, política e parlamentar. Neste sentido, subscrevemos a segunda versão da Carta aos Petistas, apos um produtivo diálogo com os signatários da primeira versão, de cujo lançamento participamos em Recife no dia 18, e participamos também da organização do ato do dia 20, em São Paulo, sobre o balanço dos dois anos do governo Lula do PT.

 

Foram atos importantes, fortes, que teoricamente acumularam no sentido da unidade da esquerda petista. Apenas teoricamente. Na verdade, mesmo reconhecendo a legitimidade da disputa política pela hegemonia desta unidade (da qual inclusive participamos), não podemos deixar de registrar nosso desacordo com posturas e movimentos hegemonistas que comprometem a unidade que pretendemos no PED (e para além dele) entre os vários agrupamentos, tendências e mandatos da esquerda do PT.

 

Faz-se necessário, em caráter de urgência, constituir um fórum de debates, envolvendo todo esse conjunto de forças, com vista à definição de conteúdos, métodos e procedimentos necessários para a construção da chapa única da esquerda do PT. Já avançamos bastante nessa direção. No entanto, precisamos ir além e criar uma força aglutinadora da esquerda petista capaz de impedir que as disputas pela Presidência, por espaços institucionais na bancada federal ou pelo preciosismo programático da chapa, constituam forças centrífugas capazes de dinamitar na origem os esforços pela unidade.

 

Discordamos, em particular, que o movimento em torno da Carta aos Petistas e às Petistas continue sendo apresentado publicamente como um patrimônio da AE e da DS, que decisões de conteúdo sobre a Carta sejam tomadas sem a participação do amplo espectro que se associou e contribui hoje nesta referência importante para unidade da esquerda. Criticamos igualmente o fato de que as acusações de hegemonismo denunciadas pela APS, nesse processo, tenham reproduzido postura semelhante de sua parte. Em particular nas articulações visando à construção do bloco de esquerda parlamentar e na transformação de um evento como o do dia 20 para lançamento de manifesto e candidaturas à Presidência do PT, sem qualquer debate ou comunicação prévia aos parceiros.

 

Como organizações engajadas nestas duas frentes mais expressivas da esquerda do PT, reconhecemos que são esses(as) os(as) companheiros(as) com os quais queremos estar juntos na disputa do PED, nos movimentos sociais e na opinião pública, disputando os rumos do governo Lula e do PT. O objetivo desta carta, portanto, é chamar de forma companheira a responsabilidade das correntes acima citadas para participar desse esforço conjuntos, sem o que, a chapa única da esquerda petista no PED será apenas um discurso vazio, sem conseqüências práticas e frutos efetivos.

 

Saudações socialistas,

 

Brasil Socialista

Fórum Socialista

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