O 13 de maio perpetua uma das maiores mentiras do Brasil. Somos 56,7% da população brasileira, maioria absoluta que vive à margem. A falsa abolição não terminou em 1888.

As feridas da escravidão estão cada vez mais abertas: nas ruas onde pessoas negras vivem em total abandono estatal, sem moradia e sem condições dignas de vida; nas periferias sem saneamento; nas cidades que nos hostilizam.
Mas somos nós, mulheres negras, que carregamos o peso maior e mais perverso dessa herança. Em 2023, 2.662 mulheres negras foram assassinadas, representando 68,2% dos homicídios femininos registrados no ano, segundo dados do Atlas da Violência 2025 do IPEA e Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A taxa de homicídios de mulheres negras é de 4,3 por 100 mil, enquanto a de mulheres não negras é de 2,5 por 100 mil. Estamos na base da pirâmide social, as mais violentadas, as mais invisibilizadas e mortas. Nossos corpos sofrem violência doméstica e violência estatal, perdemos nossos filhos para o crime e para o racismo estrutural e sofremos uma morte cotidiana que a sociedade teima em não ver.
O Brasil construiu uma democracia que nos nega direitos fundamentais. Precisamos intensificar políticas públicas de combate ao racismo e de promoção da equidade nesse país. Só nos interessa reparações que se traduzam em direitos, moradia, dignidade, educação e segurança para essa e para as futuras gerações. Essa é a nossa luta pela abolição verdadeira.
Creuzamar de Pinho é Coordenadora Nacional da União por Moradia Popular, pré candidata a deputada federal do PT-MA