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Declaração da Marcha Mundial das Mulheres das Américas

Nem golpes às mulheres nem golpes de Estado!

Mulheres solidárias com o povo da Bolívia!

Diante do golpe de Estado que vive o governo de Evo Morales Ayma, a Marcha Mundial das Mulheres das Américas se solidariza com o povo boliviano. Diante de uma nova ofensiva dos setores burgueses do país para desestabilizar e deslegitimar o processo eleitoral no qual Morales ganhou, nos colocamos ao lado das mulheres e dos homens do povo boliviano que saem às ruas para proteger seu processo democrático e condenamos os atos violentos, fortemente marcados pelo racismo e pela misoginia. Essas ações são a prova mais palpável das intenções das forças golpistas de restabelecer o racismo e o machismo como política de Estado na Bolívia.

Com dor e raiva dizemos que um novo golpe de Estado mancha o continente. Reconhecemos nele a reação do imperialismo e da oligarquia às vitórias do povo e do governo boliviano, em matéria econômica e no pagamento da dívida social e cultural através da diversidade dos povos bolivianos. A oligarquia nacional e as forças do imperialismo não estão dispostas a permitir mais um governo do lado dos povos, nem um presidente que não serve os seus interesses nem se curva às ordens do imperialismo norte-americano.

Estamos diante de um golpe ao povo boliviano e suas organizações sociais, um golpe organizado pela oligarquia latifundiária boliviana que, nas últimas décadas, tem usado todas as suas estratégias para desestabilizar o governo de Evo Morales Ayma.

Aqueles que hoje dizem buscar “recuperar a democracia” são responsáveis pela violência atual e pela organização de grupos de civis que atacam o povo na rua e cometem crimes humilhantes de “castigo” racista e colonial. Denunciamos a apreensão de organizações sociais e instituições governamentais e a retirada de símbolos indígenas, como as Whipalas, substituídos por símbolos do fundamentalismo religioso e do passado colonial boliviano. Denunciamos os sistemáticos ataques às casas e às famílias dos dirigentes do Movimento para o Socialismo (MAS) e o uso de ameaças e sequestros para forçar a renúncia de seus cargos.

Denunciamos o ataque aos meios de comunicação e aos seus trabalhadores quando estes não se curvaram ao silêncio ou à mentira midiática. Denunciamos a imprensa oligárquica do país, que não cumpre seu papel de informar com cidadania, se cala diante dessa crise política e se recusa a chamar este processo por seu nome: golpe de Estado. Denunciamos o ataque às sedes diplomáticas de Cuba e da Venezuela e o assédio ao seu pessoal. Estamos, sem dúvida, diante de um golpe racista que criminaliza as organizações indígenas.
Exigimos a restituição da democracia e o respeito à vontade do povo que, mais uma vez, elegeu Evo Morale Ayma como presidente. Exigimos que respeitem a liberdade e garantam a integridade física de Evo Morales Ayma, bem como de todas as funcionárias e funcionários de seu governo legítimo.

Às nossas irmãs do feminismo comunitário boliviano, que tanto nos ensinam, asseguramos que podem contar conosco e com toda nossa capacidade de mobilização e ação para a luta. Já estamos mobilizando, em nossos territórios, nossa solidariedade com o valoroso povo da Bolívia.

Hoje, mais do que nunca, entoamos nosso lema: resistimos para viver, marchamos para transformar!

Marcha Mundial das Mulheres das Américas
Novembro de 2019

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