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E a estrela cresce

Ano 1982. Com apenas 2 anos de existência, o PT enfrentou o desafio de disputar o seu primeiro processo eleitoral. Com Lysâneas Maciel, ex-deputado federal pelo MDB cassado pela ditadura militar, como candidato ao governo do estado, e Vladimir Palmeira, que fora liderança estudantil da luta contra a ditadura, como candidato ao senado, o PT despontou como novidade no cenário eleitoral fluminense.

Bernardo Cotrim*

Na época, o processo eleitoral era completamente diferente. O voto vinculado obrigava o eleitor a votar nos parlamentares do mesmo partido do candidato ao governo. A dificuldade do PT aumentava, já que o também recém-fundado PDT, tentativa de reorganização do velho PTB de Vargas, disputava o governo do estado tendo à frente a liderança de Leonel Brizola, nome de grande penetração no eleitorado operário e popular do RJ.

O resultado foi surpreendente: vencendo as adversidades, o PT elegeu um deputado federal (José Eudes), dois estaduais (Liszt Vieira e Lucia Arruda) e uma vereadora na capital (Benedita da Silva). Curiosamente, se a marca nacional mais forte do PT no nascedouro era o seu berço sindical, os parlamentares eleitos no RJ tinham origem na luta contra a ditadura e no movimento popular.

De lá pra cá, o PT cresceu. Consolidou, a cada eleição, sua força e sua identidade popular. Ampliou sua presença nos movimentos sociais, protagonizando momentos fundamentais da política fluminense, como a grande greve dos metalúrgicos de Volta Redonda, no triste episódio da privatização da CSN.

Não por acaso, foi no sul fluminense que o PT conseguiu seus primeiros resultados mais expressivos, impulsionado pelo efervescente movimento operário da região. Nas eleições de 1988, o PT elegeu o dentista Neirobis Nagae para a prefeitura de Angra, tendo como candidato a vice o metalúrgico Luiz Sérgio. À frente do primeiro governo petista no Rio de Janeiro, Neiróbis impulsionou políticas de valorização da educação pública, inverteu prioridades na gestão da saúde e deu início a um inédito processo de participação popular na definição das políticas de governo.

Nas eleições seguintes, o PT continuou crescendo na região. Elegeu Luiz Sérgio para o segundo mandato petista em Angra e participou de forma exitosa da gestão de Paulo Baltazar (PSB) em Volta Redonda, com grande destaque na gestão da saúde, dirigida pela médica petista Cida Diogo. Em 1996, Cida foi eleita vice-prefeita de Volta Redonda, Inês Pandeló ganhou a prefeitura de Barra Mansa e Castilho foi eleito para o terceiro mandato consecutivo do PT em Angra dos Reis.

No mesmo período, o PT viveu grande crescimento na presença parlamentar. Elegeu vereadores em todas as regiões do estado (como Alfredo Barreto em Cabo Frio, Ivânia em Macaé, Dodora em Volta Redonda, Pettersen em Niterói, Bira em Teresópolis, Nakan em Nova Iguaçu, Bittar no Rio), aumentou sua bancada na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal, elegeu pela primeira vez uma senadora – Benedita da Silva -, que fora a primeira vereadora do partido na capital e a candidata derrotada no segundo turno para a prefeitura do Rio em 1992.

O crescimento do PT no Rio acompanhou o processo de fortalecimento do partido no plano nacional. Desde a histórica eleição presidencial de 1989, que cravou a estrela petista definitivamente na política brasileira, o PT viveu várias experiências de governo em diversos municípios. As inúmeras inovações administrativas, as políticas públicas voltadas para a população de baixa renda e o compromisso democrático construíram uma identidade nacional progressista e criativa, e consolidaram um arcabouço político que se tornou conhecido como o “Modo Petista de Governar”.

Voltando ao estado: as experiências de governo continuaram crescendo. Em 1998, a senadora Benedita foi eleita vice-governadora, em aliança com o PDT de Garotinho, uma exigência de Brizola para aceitar ser candidato a vice de Lula (o PT acabou rompendo com o governo estadual em pouco tempo). Em 2000, em Paracambi, o PT obteve sua primeira vitória na Baixada Fluminense, com a candidatura de André Ceciliano. Posteriormente, com a candidatura de Garotinho à presidência, o PT pôde governar o estado por breves 9 meses, em condições adversas e cujo balanço é ainda assunto controverso no partido.

A primeira vitória de Lula para a presidência abriu uma nova perspectiva para os governos petistas. Se, até então, nossos governos encararam o desafio de administrar os municípios em um ambiente de oposição aos governos estadual e federal (salvo o breve período em que estivemos à frente do governo do estado), agora, a parceria com Lula abria novas possibilidades de investimentos e de multiplicação das políticas sociais, com resultado imediato nas condições de vida da população.

Nesse novo cenário, o PT vivenciou seu maior crescimento: em 2004, o partido reelegeu-se em Paracambi, e venceu também em Niterói, Nova Iguaçu e Mesquita. Em 2008, apesar da derrota em Niterói, o PT venceu em Belford Roxo, reelegeu-se em Mesquita e Nova Iguaçu e conquistou o terceiro mandato em Paracambi, consolidando-se como o partido político de maior expressão no cinturão operário da região metropolitana, a Baixada Fluminense. Ao mesmo tempo, ganhou em Santa Maria Madalena, fincou a bandeira na região serrana, elegendo os prefeitos de Petrópolis e Teresópolis, venceu em Silva Jardim e Maricá, na região leste, e em Conceição de Macabu, no norte fluminense.

Esse cenário apresenta novos desafios para o PT. Se, por um lado, o partido teve enorme crescimento ao longo da sua trajetória, não podemos deixar de apontar nossas deficiências. O PT se fragilizou na região sul, palco de nossas primeiras vitórias, e nunca conseguiu reverter sua pouca expressão nas regiões norte e noroeste. Além disso, nunca mais conseguimos repetir o resultado das eleições de 1992 na capital, quando fomos ao segundo turno, e perdemos espaço em Niterói.

Precisamos encarar como desafio do partido a ampliação do nosso trabalho, aumentando o número de governos petistas e reforçando nossa construção na capital. Além disso, precisamos resgatar as melhores experiências de administração petista, revertendo uma tendência à inércia e à despolitização próprias da acomodação na máquina pública. Aumentar os espaços de participação popular, radicalizar a democracia e resgatar nosso compromisso com a solidariedade e a dignidade humana, ser transparente nas ações e respeitar os princípios éticos e republicanos da nossa tradição.

É com este norte que o Partido dos Trabalhadores poderá prosseguir sua trajetória de êxitos e de compromisso com a mudança, fazendo nossa estrela brilhar ainda mais forte, construindo um Rio de Janeiro, um Brasil e um mundo melhor.

* Bernardo Cotrim é secretário de formação do PT-RJ. Artigo publicado na revista “PT em Foco”, editada pela secretaria de comunicação do PT-RJ por ocasião dos 30 anos do partido.

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