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Entrevista: Rosane Silva fala sobre os 10 anos da CSD

168561Neste fim de semana a CSD realizará sua IV Conferência Nacional, em São Paulo. A realização da conferência acontece no ano em que a corrente sindical cutista completa 10 anos de fundação.

Durante o evento será realizado um balanço dessa primeira década de atuação da corrente na construção da CUT. Para fazer uma prévia do que será debatido na conferência, o portal da DS entrevistou a companheira Rosane Silva, Secretária Nacional da Mulher Trabalhador da CUT e dirigente da CSD.

Na entrevista Rosane faz um balanço sobre as principais contribuições da CSD para a CUT, analisa o papel da corrente na disseminação da pauta feminista no meio sindical e fala sobre os principais desafios do sindicalismo combativo cutista para os próximos anos.

Clique aqui para ver a programação da IV Conferência Nacional da CSD.

Entrevista:

Portal DS:  Durante esses 10 anos, qual foi a maior contribuição da CSD para a construção da CUT? Quais foram as lutas mais importantes impulsionadas pela CSD?

Rosane Silva: Nestes 10 anos de existência da CSD sempre pautamos a importância de dirigir a CUT com as demais correntes políticas da nossa central e sempre estivemos à frente das principais lutas que a CUT têm impulsionado. Entre as mais importantes se destaca o debate e negociação com o governo sobre a política de valorização do Salário Mínimo, que culminou em um acordo do governo Lula com as centrais sindicais, que consideramos que foi a maior campanha salarial do mundo, pois envolve milhões de trabalhadores rurais e urbanos e é uma das políticas estratégicas para a distribuição de renda do nosso país. Também participamos ativamente de todo o processo de debate sobre a reforma sindical, pois a CUT, desde a sua fundação, questiona esta atual estrutura sindical vigente em nosso país. À frente da Secretaria Sindical da CUT retomamos com centralidade a luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários, trazendo as demais centrais para essa campanha protagonizada pela CUT. Atualmente temos impulsionado a luta das mulheres e da juventude no interior da CUT e, junto com a presidência da central, temos coordenado a Jornada pelo Desenvolvimento, onde questionamos o atual modelo de desenvolvimento e apresentamos para a sociedade brasileira a nossa opinião sobre qual modelo de desenvolvimento devemos construir no Brasil, um modelo que distribua renda, valorize o trabalho, garanta a sustentabilidade e que tenha o estado como o principal indutor do crescimento com políticas públicas de estado que rompam com as desigualdades sociais.

 

Portal DS: Como você analisa o crescimento da CSD nesses 10 anos?

RS: A nossa corrente hoje está presente em torno de 17 estados, nos principais ramos de atividade da CUT. Isso tudo é fruto desta nossa visão que a CSD implementa no movimento sindical combativo brasileiro, de que para se construir uma sociedade socialista, devemos participar ativamente dos espaços sociais, implementando na nossa prática cotidiana os princípios fundadores da CSD: A CUT como o instrumento da classe trabalhadora capaz de construir com outros atores sociais a revolução democrática no nosso país; o socialismo como o projeto político estratégico que queremos construir; e a democracia como um principio da prática cotidiana dos socialistas.

 

Portal DS: Como você avalia o papel da CSD na disseminação da pauta feminista no interior do movimento sindical?

RS: A CSD, à frente da Secretaria Nacional de Mulheres da CUT, trouxe para o movimento sindical a luta feminista, que debate hoje com centralidade a autonomia política, econômica e social das mulheres, onde nós mulheres possamos ser livres para decidir sobre as nossas vidas. Levamos também para o movimento feministas com muita ênfase a luta das trabalhadoras por políticas públicas estruturantes para garantir a nossa autonomia, como a luta por creches públicas de qualidade e de tempo integral; a luta por salário igual aos dos homens – hoje as mulheres recebem em média 30% a menos do que recebe um homem, mesmo tendo mais escolaridade que os homens; a luta para que todas as trabalhadoras e trabalhadores tenham os mesmos direitos, pois hoje nosso país temos 7 milhões de trabalhadoras que tem menos direitos trabalhistas que os demais trabalhadores, como é o caso das trabalhadoras domésticas, que são majoritariamente de mulheres negras. Além disso, pautamos temas como o debate do aborto – já que nossa central tem posição pela descriminalização e legalização do aborto desde 1991 – e a luta pelo combate à violência contra as mulheres, com a implementação da lei Maria da Penha, que foi uma vitória importante do movimento feminista e de mulheres.


Portal DS:
Quais os principais desafios para a CUT no próximo período?

RS: Nosso principal desafios será o de impulsionar a luta no nosso país, na perspectiva de construir um novo modelo de sociedade e aprofundar as mudanças pelas quais vem passando o Brasil. Para isso é fundamental avançar na reforma agrária, organizando a luta para a atualização dos índices de produtividade, massificar a mobilização pela redução da jornada de trabalho, pressionar pelo fim do fator previdenciário e retomar com centralidade o debate e a luta por uma reforma politica democrática, que amplie os mecanismos de participação direta da população, com vistas a implantação do Orçamento Participativo no âmbito federal. Outras lutas fundamentais são a democratização dos meios de comunicação, a luta por políticas afirmativas para as mulheres, o aumento das politicas públicas para a juventude, negros e negras e participar ativamente de todo o processo de construção da Rio+20, questionando este modelo de sustentabilidade em curso no Brasil e no mundo.

 

Portal DS: Como a CSD pode influenciar a CUT para que essa assuma um papel de vanguarda no aprofundamento da revolução democrática brasileira?

RS: A CSD é a corrente politica que tem trazido este debate para o interior da CUT. Penso que podemos influenciar a CUT no sentido de debater como o movimento sindical cutista pode de fato ser parte ativa da revolução democrática brasileira, impulsionando lutas que mudem a vida da classe trabalhadora e que traga para o centro do debate a disputa de modelo de sociedade. Defendemos uma sociedade que distribua renda, valorize o trabalho e radicalize na democracia. Junto com o povo brasileiro vamos construindo democraticamente uma sociedade que promova os direitos à igualdade e que saiba construir novos modos de organizar a vida social para além da mercantilização e do autoritarismo do capital .

 

Portal DS: Quais serão os principais debates da IV Conferência Nacional da CSD?

RS: A nossa IV Conferência está sendo realizada no momento em que a CSD completa 10 anos de existência. Queremos fazer um balanço destes 10 anos, mas também pensar como a CSD pode e deve impulsionar, com centralidade, o debate da revolução democrática junto à classe trabalhadora, sendo a CUT o ator social que impulsionará as lutas e mobilizações no nosso país para avançar a revolução democrática em curso no Brasil.

 

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