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Fiasco: Bolsonaro em Davos | Iuri Faria Codas

Foto: Reuters/Arnd Wiegmann

O Fórum Econômico Mundial, evento anual que ocorre na cidade de Davos, Suíça, iniciou sua edição de 2019 nessa terça-feira, dia 22 de janeiro. O encontro, que reúne as elites políticas e econômicas de boa parte do mundo, esse ano não contará com algumas presenças importantes, como dos presidentes dos EUA, França, China, Reino Unido, Rússia, além do recém-empossado Andrés Manuel López Obrador do México. O tema dessa vez é Globalização 4.0, focado nos desafios da mudança climática e dos impactos da chamada quarta revolução industrial, e ocorre após um ano em que a agenda multilateral perdeu força enquanto os EUA aprofundam uma política comercial protecionista e o Reino Unido vive conflitos em torno de sua saída da União Europeia.

Com a ausência de figuras tão importantes, grandes expectativas estavam colocadas sobre o novo presidente brasileiro Jair Bolsonaro, único chefe de Estado que discursou no primeiro dia do evento. Até então, Bolsonaro era conhecido internacionalmente pelas suas declarações preconceituosas enquanto deputado e candidato a presidente, além das repercussões do seu turbulento início de governo que, entre outras coisas, alçou a chanceler Ernesto Araújo, cujo discurso regado a teorias da conspiração e fanatismo religioso gerou aversão de boa parte dos diplomatas estrangeiros. Ainda assim, entre os participantes do Fórum existiam expectativas altas sobre o novo presidente brasileiro pois suas promessas para a área econômica, como privatização das empresas públicas e da previdência, vão de encontro com os interesses da banca mundial.

Fazendo jus ao seu histórico, Bolsonaro mostrou que não tem nada a oferecer que não as bravatas de sempre. A organização do Fórum lhe ofereceu inicialmente 45 minutos para discursar, o governo brasileiro pediu que reduzisse para 30, ao final o presidente falou por menos de sete minutos e depois participou de uma sessão de perguntas e respostas por mais oito minutos. Não se aprofundou em nenhum tema, maior destaque foi para desfazer a imagem de inimigo do meio ambiente que ganhou quando disse que o Brasil poderia sair do Acordo sobre Mudanças Climáticas, repetiu algumas vezes sua missão de fazer política sem ideologia, contou vantagem de sua vitória eleitoral ao mesmo tempo que se disse vítima de perseguição.

Os jornalistas estrangeiros que cobriam o evento nem esperaram muito para demonstrar sua frustração. Logo após terminar o encontro, diversos profissionais da imprensa mundial publicaram no Twitter sua decepção com a performance do novo mandatário brasileiro, classificando como “fiasco” e “fracasso”.

Bolsonaro deve ficar até o final do Fórum, no entanto, pouco deve se alterar no isolamento político do novo governo, já que o ministro das relações exteriores não tinha nenhuma agenda marcada de antemão, o presidente se recusou a dar uma coletiva de imprensa e tem encontros programados apenas com quatro chefes de governo de extrema-direita.

De acordo com Andy Robinson, do jornal La Vanguardia, o presidente Bolsonaro também participará de um evento fora da agenda oficial. No último dia 19 o jornalista publicou uma matéria relatando que o estrategista de extrema-direita e ex-assessor de Donald Trump Steve Bannon está organizando um encontro paralelo ao Fórum de Davos para reunir a cúpula de seu grupo Movimento, cujo objetivo é fortalecer grupos alinhados politicamente com sua agenda pelo mundo. Robinson afirma que Bolsonaro está inscrito em um dos debates.

Iuri Faria Codas é bacharel em Relações Internacionais e militante da Democracia Socialista

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