Notícias
Home / Temas / Classes Trabalhadoras / Formando uma frente popular com o movimento social | Front Populaire Social

Formando uma frente popular com o movimento social | Front Populaire Social

Mais de 150 sindicalistas, militantes de movimentos sociais, da esquerda alternativa, respondem ao apelo de uma Nova Frente Popular e pedem um compromisso com ela nas bases para fazer a extrema-direita recuar e ir mais longe na ruptura e na alternativa.

Arte: Divulgação CADTM

Apelo à intervenção de ativistas de movimentos sociais, mobilizações de cidadãos e da esquerda alternativa

Nós, sindicalistas, ativistas de movimentos sociais e ecológicos, de bairros operários, camponeses, de associações e coletivos de moradores, das mobilizações cidadãs, ativistas de organização política da esquerda alternativa – atores de lutas ambientalistas, anticapitalistas, feministas, LGBTQI, antiimperialistas e internacionalistas, antirracistas, anticapacitistas… – respondemos ao chamado de uma Nova Frente Popular para impedir uma maioria na Assembleia Nacional e, ao mesmo tempo, repelir o neofascismo e o macronismo e o que o fortalece.

O acordo eleitoral dos partidos de esquerda que assinaram o comunicado “Poucos dias para fazer uma frente popular” era absolutamente necessário. Os candidatos da Frente Popular devem encarnar a aspiração de unidade, ser os mais unificadores da esquerda, os mais legítimos localmente, os mais propensos a vencer a extrema-direita – o que exclui os casos particulares de candidatos que são particularmente contrários aos valores sociais, feministas e antirracistas que defendemos – para que o maior número possível de deputados de esquerda seja eleito em 7 de Julho. Vamos fazer a nossa parte nessa mobilização eleitoral, nas nossas cidades, nos nossos locais de trabalho e nos nossos bairros. Mas essa Nova Frente Popular, que por enquanto é apenas um acordo eleitoral, não pode ser feita sem movimentos sociais.

Trata-se, antes de tudo, de uma necessidade pragmática. Como mostrou a grande mobilização para barrar a contrarreforma da Previdência em 2023, quando se unem forças, sindicatos e movimentos sociais podem reunir milhões de pessoas. É uma força inestimável que pode e deve contribuir para a vitória.

Em segundo lugar, é uma exigência democrática fundamental, porque queremos que os deputados que ajudamos a eleger sejam responsáveis pelas suas ações a longo prazo, colocar-se a serviço dos interesses dos oprimidos e explorados. Esta é a única maneira de reconstituir uma força popular capaz de evitar a catástrofe, não só hoje, mas também nos anos vindouros, e construir uma verdadeira alternativa social e política. 

Não esquecemos as divergências que podemos ter com certos componentes políticos da Nova Frente Popular, seja nas mobilizações dos últimos meses, seja quando alguns deles estavam no poder. Participar da Nova Frente Popular não é dar um cheque em branco: para nós, só a participação nesse espaço de ativistas de movimentos sociais, ecológicos e de cidadania, da esquerda de mobilizações  nos territórios pode possibilitar de fato a construção de uma alternativa popular e antifascista capaz de reverter a tendência a partir da ruptura. Dizemos isso claramente, nossa bússola, nossa prioridade, é, antes de tudo, as demandas que os próprios movimentos sociais estabeleceram para si mesmos.

Porque não se trata apenas de fazer melhor, mas de fazer mais. Se vamos estar vigilantes, é também para ir mais longe na ruptura e na alternativa. As forças hostis que esse governo da Nova Frente Popular enfrentaria também estarão lá. Os patrões vão se defender com unhas e dentes. A extrema-direita e os bandidos fascistas vão querer vingança por uma oportunidade perdida. Todos eles tentarão derrotar tal governo para assumir o poder em 2027. Se, pelo contrário, fosse a extrema-direita capaz de governar, ou um macronismo ainda mais à direita e autoritário do que hoje, precisaríamos absolutamente reforçar as nossas capacidades de mobilização, autodefesa, solidariedade concreta e política para com os mais oprimidos, discriminados, explorados, aqueles que já são vítimas do racismo sistêmico, Islamofobia ou antissemitismo e quem serão os primeiros alvos desses governos. Por isso, formar uma frente popular significa se preparar para a autodefesa e ofensiva popular, nos bairros, no campo, nas empresas, nos municípios, neste momento.

A unidade da esquerda para se levantar, sim! Mas não terá sucesso sem movimentos sociais e mobilizações cidadãs, sem intervenção popular e sem democracia. Não basta mudar o governo, é preciso mudar a sociedade.

Conclamamos, portanto:

  • Todos os nossos camaradas, colegas, vizinhos e amigos a participarem plenamente na mobilização eleitoral no território.
  • A participação em todas as manifestações, comícios, convocados por nossas organizações ou por todos aqueles que vinculam a necessidade de uma resposta antifascista de massa com a ruptura com as políticas neoliberais.
  • Os partidos políticos que assinaram o acordo eleitoral para deixar o seu lugar pleno às nossas organizações e militantes, às pessoas minoritárias, na Nova Frente Popular em construção, a nível local e nacional.
  • Todas as organizações e componentes dos movimentos sociais e de cidadania se unirem à Frente Popular e participarem de assembleias e comitês da Nova Frente Popular, em nível local, para trazer uma linha de ruptura e alternativa às políticas realizadas há 40 anos.

Para assinar, receber informações ou fazer propostas: frontpopulairesocial@gmail.com

Confira aqui a lista dos primeiros signatários:

Formando uma frente popular, com o movimento social (cadtm.org)

Via Comitê para a abolição das dívidas ilegítimas.

Veja também

PT aprova resolução para distribuição de recursos do FEFC

Critérios para a distribuição dos recursos do FEFC seguirão dispositivos da Lei nº 9.504/97 e …

Comente com o Facebook