Home / Conteúdos / Artigos / Honduras e a solidariedade latino-americana

Honduras e a solidariedade latino-americana

Leia artigo de Daniel Gaspar, diretor de Relações Internacionais da UNE, sobre o golpe em Honduras. “Zelaya, presidente democraticamente eleito desse pequeno país da América Central, ousou desagradar a classe dominante hondurenha ao convocar um plebiscito popular. O Brasil é ponta de lança na defesa da democracia em Honduras e das transformações na América Latina. Tanto por parte do governo Lula e sua diplomacia, que fizeram com que a comunidade internacional voltasse seus olhos para aquele país, quanto por parte dos movimentos sociais, como a UNE, que condenou a arbitrariedade de imediato.

Daniel Gaspar *

O 28 de junho de 2009 ficará marcado na vida de Oscar Montesinos.

Esse pequeno hondurenho é um dos grandes símbolos da resistência popular em Honduras, frente ao golpe perpetrado contra o presidente Manuel Zelaya pelos setores mais conservadores da oligarquia hondurenha e seus fiéis aliados, as Forças Armadas, a Igreja Católica e a imprensa burguesa local.

Em discurso inflamado numa das dezenas de manifestações da Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado em Honduras, Oscar denuncia o golpista Micheletti  e a repressão aos movimentos sociais que condenam o golpe. Zelaya, fazendeiro, presidente democraticamente eleito desse pequeno país da América Central, ousou desagradar a classe dominante hondurenha ao convocar um plebiscito popular para que os cidadãos opinassem se queriam ou não a convocação de uma Assembléia Constituinte para uma nova Constituição. Nada mais democrático.

Obviamente, não para aqueles que acreditam e defendem a idéia da democracia sem povo e o domínio do Estado pelos interesses das grandes corporações multinacionais. No caso específico de Honduras, os jornalões e as gigantes petrolíferas, que temem a apropriação pelo Estado do petróleo recém-descoberto no país e a democratização dos meios de comunicação, com a elaboração da nova Carta Magna.

O que ocorre é que os anos 60 e 70 deixaram rastros de sangue, mas já se foram.

Hoje hegemonizada por governos populares e movimentos sociais de esquerda, a América Latina condenou com veemência e em uníssono o golpe de Estado, exigindo o retorno imediato de Zelaya ao poder, refutando a lógica de competição cruel imposta pela globalização capitalista, que coloca países contra países e povos contra povos. O momento da América Latina é de transformação social, integração e profundo respeito aos princípios democráticos.

O Brasil é ponta de lança na defesa da democracia em Honduras e das transformações na América Latina. Tanto por parte do governo Lula e de sua diplomacia, que fizeram com que toda a comunidade internacional voltasse seus olhos para aquele país e repudiasse o golpe, ao abrigar Zelaya na Embaixada brasileira em seu retorno a Tegucigalpa, quanto por parte dos movimentos sociais, como a UNE, que condenou a arbitrariedade de imediato.

“Passo firme em direção ao socialismo!”. A frase de Oscar Montesinos ecoa por toda a América Latina. O povo que aplaude o garoto é o povo latino-americano. O garoto simboliza o que há de novo. E o novo sempre vem.

* Daniel Gaspar é diretor de Relações Internacionais da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Veja também

Batucada feminista afinada na luta pela América Latina

Desde o ato que abriu o Encontro em Montevidéu, dia 16, às 10h, a batucada feminista da Marcha Mundial das Mulheres anima e demarca a força feminista na Jornada Continental pela Democracia e Contra o Neoliberalismo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Comente com o Facebook