Após 13 anos de luta, lágrimas e sofrimento, STF reconhece responsabilidade do estado de SP pelo disparo que destruiu o olho do fotógrafo em Junho de 2013. Livro gratuito sobre trajetória de Sérgio – e outras vítimas da barbárie policial – convida à luta para desarmar o Estado

Nesta terça-feira (28/04) o Brasil amanheceu um pouquinho menos injusto. A 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal reconheceu por unanimidade a responsabilidade do Estado de São Paulo pelo disparo da bala de borracha que destruiu o olho esquerdo do fotógrafo Sérgio Silva em 13 de junho de 2013, enquanto cobria um protesto duramente reprimido pela Polícia Militar na esquina da Rua da Consolação com as ruas Maria Antônia e Caio Prado, no centro da capital. Depois de treze anos de luta, lágrimas e muito sofrimento, além de duas derrotas judiciais em primeira e segunda instâncias, finalmente Sérgio receberá uma indenização pelo órgão que lhe foi brutalmente arrancado por agentes do Estado.
Como muitos de vocês sabem, passei cinco anos dedicado à escrita de “Memória ocular: cenas de um Estado que cega”, em parceria com Sérgio Silva. O livro conta a história de Sérgio, colhendo também relatos de outras pessoas que perderam o olho ou a visão, integral ou parcialmente, devido à atuação da PM paulista. O meu objetivo foi mergulhar na vida dessas pessoas, sobretudo na de Sérgio, com quem realizei inúmeras entrevistas, para compreender e transmitir aos leitores ao menos uma fração do que é ser uma vítima do Estado — e, sobretudo, demonstrar como a violência sofrida nas ruas depois se intensifica na imprensa, nos círculos políticos e nos tribunais.
Sérgio se tornou um irmão para mim, e a vitória dele é a vitória de toda a sociedade. Sérgio é um grande exemplo. Sérgio não desistiu. Diante de todas as adversidades — e da crueldade de juízes que vestem a toga para defender o poder estabelecido —, Sérgio seguiu em frente, munido de uma sede insaciável de justiça e da solidariedade de todas as pessoas que nunca esqueceram nem jamais esquecerão o seu caso.
Para marcar 28 de abril de 2026 como o dia em que finalmente se fez justiça para Sérgio Silva, estou enviando a vocês — com o pedido de que espalhem para quem quiserem, como quiserem e onde quiserem — o PDF de “Memória ocular”, para que mais gente possa conhecer a trajetória de Sérgio Silva e para que, em breve, possamos comemorar a proibição do uso de balas de borrachas (e, claro, de chumbo também) contra a população pelo Estado brasileiro — próximo passo dessa luta.
Em textos e imagens, Memória ocular acompanha a trajetória do fotógrafo ano a ano, e aborda também o drama de outros cidadãos cegados — ou quase — pela polícia paulista, e o que significa ser uma vítima do Estado, hoje, após 30 anos de “redemocratização” A Editora Elefante, parceira editorial do Outras Palavras, disponibiliza o livro gratuitamente. Acesse ele aqui
Por Tadeu Breda, via Outras Palavras