Home / Conteúdos / Artigos / Nacionalismo, negócios e integração dos povos

Nacionalismo, negócios e integração dos povos

Jornal DS – 19. Transcender o nacionalismo e superar o neoliberalismo.

O nacionalismo faz parte de uma abordagem progressista das relações internacionais quando um país do terceiro mundo o utiliza contra as pretensões imperialistas do capitalismo central. No entanto, o nacionalismo é totalmente insuficiente, e inclusive, contraditório, quando é aplicado às relações entre países do sul que são aliados em um projeto de integração que é o meio de construir uma contra-hegemonia ao projeto imperialista na região.

Isso ficou claro no conflito entre Argentina e Uruguai em relação às plantas de celulose, em que, em ambas as margens do rio, cada governo buscou se apresentar defendendo “seu interesse nacional” frente ao outro e obtendo altíssimos índices de aprovação da opinião pública no seu embate contra o vizinho.

Se alguma coisa há que se questionar da iniciativa do governo Evo é justamente “o discurso” nacionalista com o qual buscou arregimentar apoios de setores conservadores, porém, nacionalistas. Daí o recurso à presença de militares no ato de lançamento do decreto, a reivindicação das duas anteriores nacionalizações realizadas por governos militares e as referências à Guerra do Chaco (em que Paraguai e Bolívia lutaram a mando das multinacionais petroleiras da Inglaterra e Estados Unidos, respectivamente, mas que acende o fervor patriótico de ambos lados da fronteira).

Do outro lado da fronteira, é evidente que uma perspectiva democrática-popular de política externa pró-integração (como é a política do governo Lula) não pode se basear no fomento dos negócios predatórios de empresas e empresários brasileiros nos países vizinhos (herança dos anos neoliberais no Brasil e na região). O paradigma neoliberal de que “a expansão dos negócios” resolverá os problemas das populações locais é falso tanto na Bolívia como no Brasil.

Em suma, uma perspectiva de integração dos povos, que é defendida pelos governos Evo e Lula, tem que transcender o “nacionalismo”, mas também tem que se alicerçar sobre outro paradigma econômico e social que o herdado do neoliberalismo. O governo Lula deu um passo importante e positivo no primeiro quesito, superar os impasses do segundo será um dos desafios a enfrentar num novo mandato.

 

Veja também

Batucada feminista afinada na luta pela América Latina

Desde o ato que abriu o Encontro em Montevidéu, dia 16, às 10h, a batucada feminista da Marcha Mundial das Mulheres anima e demarca a força feminista na Jornada Continental pela Democracia e Contra o Neoliberalismo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Comente com o Facebook