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Nunca tantos medíocres no parlamento gaúcho! | Miguel Rossetto

Os deputados e as deputadas governistas escolheram não falar. Não falaram quando retiram o direito do povo gaúcho decidir em plebiscito, sobre a venda da CEEE, e depois não falaram quando  aprovaram a venda da CEEE. Não falaram também quando impediram, mais uma vez, que o povo gaúcho, em plebiscito e com seu voto, decidisse o futuro da Corsan, do Banrisul e da Procergs.  Não participaram em nenhuma audiência pública onde o tema foi discutido.
No dia 31 de agosto, mais uma vez não falaram no plenário aberto, mas certamente conversaram em salas fechadas. Votaram silenciosos e com pressa, sob orientação e obediência ao governo, o fim da Corsan. Como fizeram com a CEEE. As “atas da casa” estão vazias, por conta de um silêncio – que não existiu nem mesmo nos períodos da ditadura, onde vozes corajosas falavam. Silêncio medíocre, acovardado, cúmplice, vergonhoso.

Minha homenagem aos parlamentares estaduais do PT, PDT, PSOL, PSB e aos demais que falaram com altivez, com coragem, contra esta vergonha!

Toda esta conduta privatista aqui no estado foi marcada pela mentira e pelo silêncio diante do povo. O candidato Leite foi eleito, em eleição apertada no segundo turno, porque se comprometeu a respeitar o plebiscito constitucional e não privatizar nem Corsan, nem o Banrisul. Mentiu por duas vezes! Os deputados governistas mentiram ou silenciaram frente ao povo gaúcho. A imprensa diz que o silêncio foi ofertado pelo governo por 5% do valor da venda do Corsan, para os calados deputados distribuírem em suas bases eleitorais. Escolheram se tornar sócios do butim. Maldita ignomínia e pequenez. E fizeram isso, pasmem, antes de votar uma nova regionalização, a nova forma de gestão do saneamento no RS, as novas competências dos municípios e a situação das empresas públicas municipais; o DMAE aqui em Porto Alegre, o SEMAE em São Leopoldo.

O fim ilegítimo do plebiscito popular segue em avaliação sobre sua legalidade no STF e as condições da venda da CEEE seguem em avaliação pela justiça. Não deverá ser surpresa para ninguém que o responsável (sic) pela “operação financeira” da entrega da Corsan seja um banco espanhol que despeja seus funcionários para administrar o Rio Grande do Sul…

É preciso continuar acompanhando, fiscalizando a conduta do atual governo do estado nesta, com permissão de Chico Buarque, “página triste da nossa história, onde o nosso estado não percebia que era subtraído em tenebrosas transações”.
Vai passar, vão passar…

  • Miguel Rossetto foi vice-governador do Rio Grande do Sul e deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores.
  • Publicação original: Sul21
  • Foto: Joana Berwanger/Sul21

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