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Uma nova geração e uma tradição de esquerda

Jornal DS 25 [Mai2010]. No mês de fevereiro deste ano, a Democracia Socialista reuniu noventa dirigentes de todas as regiões do país e de todas as áreas de atuação, durante quatro dias, na capital federal. A pauta: estudar a atualidade do nosso projeto para a construção socialista do Partido dos Trabalhadores.

Anderson Campos *

A IX Conferência Nacional da Democracia Socialista, acontecida em Brasília em junho de 2009, havia resolvido realizar um processo de formação política com novos e novas dirigentes da tendência. Esse processo foi iniciado em fevereiro de 2010 e deve ser concluído em janeiro de 2011. Foram selecionados dirigentes regionais e de setores organizados em movimentos populares.

Os momentos presenciais, quando reunimos os participantes em um mesmo local, são intercalados com períodos de estudos à distância. Serão, ao todo, três momentos presenciais. Não serão aulas tradicionais. Utilizamos uma dinâmica por meio da qual recuperamos elementos da nossa tradição política, que são combinados com a experiência militante dos participantes do projeto de formação.

A tradição da DS, acumulada em 30 anos de construção política, tem sido analisada através de determinada leitura do marxismo. Verificando por outro ângulo, trata-se de estudar a atualidade dessa tradição para a construção socialista do PT.

Rumos da formação política

Assim, buscamos um duplo objetivo, absolutamente relacionados entre si. Por um lado, consideramos que existem limites programáticos para a construção do PT rumo ao socialismo. Desejamos, com esse projeto de formação política, subsidiar a geração mais recente de dirigentes da DS com munição da melhor crítica marxista. Com isso, essa militância poderá acumular maiores condições para contribuir com o esforço de atualização e superação desses limites.

O segundo objetivo está relacionado ao papel dirigente da nova geração. Queremos constituir um corpo de direção capaz de discernir conjunturas, de forma que os elementos regionais e setoriais sejam considerados numa dinâmica nacional e internacional. A identidade de classe se constrói em luta e, para nós, ela se realiza em cada processo de combate contra a sociedade de mercado. À frente de movimentos sociais, administrações democráticas, mandatos populares, dentre outras experiências, desenvolvemos instrumentos com potencial de alterar correlações de força. É a partir dessas experiências concretas que analisamos e nos posicionamos nas determinadas conjunturas. Nosso objetivo, aqui, é conduzir a tendência à direção partidária. O partido é a ferramenta pela qual unificamos o conjunto das experiências aqui referidas e que deve organizar, assim, a disputa pelo poder popular, democratizado.

Na primeira etapa, estudamos a contribuição da DS – acumulada no decorrer de trinta anos – para a construção do Partido dos Trabalhadores. Destacamos os fundamentos do que é, sob nossa leitura do marxismo, uma organização social e política chamada de democracia socialista. Nessa concepção, o feminismo tem lugar central na construção socialista.

Por fim, realizamos um longo debate crítico sobre os desafios atuais de construção partidária. A profundidade da crítica chegou ao ponto de questionarmos nossas próprias propostas. Um exemplo interessante, obviamente polemizado, foi a crítica apresentada à proposta de núcleos como forma de democratização desde a base da estrutura partidária.

A questão foi apresentada da seguinte maneira: nós, que defendemos os núcleos como forma mais radical de organização democrática do partido, estamos construindo experiências de nucleação em quais lugares e de que forma? A questão incorporou outras, que podem até ser consideradas sugestões de respostas. “Por que não apresentamos, em cada lugar onde militamos, a sede do diretório do partido como um espaço político-cultural?”, provocou Joaquim Soriano, ex-secretário nacional de formação do PT. O espaço físico do partido não pode ser apenas um lugar onde se faz reunião da direção e onde guardamos nossos arquivos. A comunidade petista precisa se encontrar. E esse encontro não precisa ser em reunião de instâncias.

Uma geração política, para ser nova, deve trazer a novidade do questionamento à burocracia, ao poder eminentemente burocrático. Os lugares de organização partidária não podem ser espaços de reprodução da dominação, mas de transformação do poder. A educação política se desenvolve em práticas, valores e códigos políticos. Esse sentido da construção partidária tem forte capacidade de convocação da base social petista, porque esta é militante e potencialmente socialista.

Próximos passos

Concluímos a primeira etapa apontando as tarefas para a etapa seguinte, a educação à distância. No período de março a maio, os participantes refletirão sobre os fundamentos da revolução permanente e sua relação com a proposta de revolução democrática. Iniciamos com uma sucinta bibliografia de textos clássicos de Engels, Lênin e Trotski. Na realidade, condicionados pelo curto tempo, nos debruçaremos sobre o problema da permanência do processo revolucionário. Devemos, nos momentos seguintes, aprofundar o problema do aspecto democrático da revolução socialista e o papel a ser cumprido pelo Estado.

A terceira etapa, mais um momento de encontro presencial, será realizada de 11 a 13 de junho. Estamos retomando e atualizando a arte do encontro para a educação política. Desejamos promover o encontro do melhor da nossa tradição política com o surgimento de uma nova geração de dirigentes do socialismo democrático petista.

* Anderson Campos é membro do Grupo de Trabalho de Formação Política da Coordenação Nacional da DS.

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