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Em 2005, mais democrático e participativo

Volta do FSM a Porto Alegre inaugura novas dinâmicas.

Pierre Rousset*

Como voltar a Porto Alegre sem repetir o que se fez (certamente com êxito) de 2001 a 2003? Como escapar à rotina e evitar a institucionalização do movimento? A escolha das formas de organização de um fórum não deixa de ter conseqüências políticas. Por motivo de uma visita aos espaços de Porto Alegre, representantes do comitê de organização indiano do FSM e do coletivo de arquitetos que concebeu o espaço de Mumbai transmitiram aos brasileiros sua experiência nesse campo.

O coração do próximo FSM se situará nas margens do rio, e não mais no campus da universidade católica. O que permite tomar decisões políticas simbolicamente fortes (em Mumbai, Pepsi e Coca Cola não tinham direito a estar no centro do FSM), dar prioridade à economia solidária (os restaurantes univesitários dando espaço às cozinhas populares regionais), eleger as tecnologias (como a utilização generalizada de programas livres), abrir ainda mais espaço à iniciativa militante (encarnada, por exemplo, em matéria de tradução pela Rede Babels), permitir o pleno desdobramento da ação cultural, aplicar orientações (reciclagem de materiais, princípio de “lixo zero”), etc.

Dirigido para a ação

O próximo FSM de Porto Alegre deve permitir articular melhor a discussão, a reflexão e a ação. Os próprios debates estão conseqüentemente concebidos de forma diferente que nos fóruns passados. Durante os dois primeiros dias do Fórum, os intercâmbios de experiências e de análises no centro dos seminários devem, como resultado, desembocar mais sistematicamente em propostas de iniciativas.

O ponto sobre essas propostas poderá ser realizado no terceiro dia em cada ramo temático, antes de uma síntese no quarto dia. A busca de saída militante, que sempre foi uma preocupação de muitos participantes nos fóruns, estará assim mais organicamente ligada à concepção e à organização dos próprios debates do FSM.

Coletivização do processo
Nesta perspectiva, a preparação do próximo Fórum de Porto Alegre deve ser mais interativa do que foi anteriormente. Desta vez os movimentos estão também convidados a participar na construção em si do evento, principalmente propondo temas, o que deverá permitir definir mais coletivamente as prioridades do Fórum.

Um questionário foi posto à disposição no site do FSM, a fim de centralizar as propostas (www.consultafsm.org.br). Esta consulta aberta permitirá definir os eixos temáticos do fórum e os painéis (não somente os seminários). Em que medida os novos mecanismos de consulta internacional funcionarão já de forma eficaz em relação ao próximo FSM, tendo em conta os prazos bastante curtos em que vão funcionar (a programação deve estar fechada em novembro)? É difícil ter uma opinião hoje. Porém deverão a médio prazo permitir uma melhor internacionalização do movimento, uma democratização do processo dos fóruns em seu conjunto e uma capacidade de coletivização muito mais importante.

O próximo Fórum de Porto Alegre foi repensado em sua concepção, seu modo de preparação e de animação, sua localização. Suas ambições se ampliaram. Mumbai não foi um simples parênteses: a experiência indiana contribuiu para essa reavaliação.


Este texto é um recorte do original “Retour vers le futur”.

*Pierre Rousset é membro do ATTAC França.

 

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