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Entrevista – Joanna Paroli: “É preciso afirmar que os grandes temas também são assunto de jovem”

313387Entrevista realizada pelo blogueiro Leopoldo Vieira, do blog Juventude em Pauta, com Joanna Paroli, Secretária Nacional Adjunta da Juventude do PT, que atualmente é a coordenadora-geral do Grupo de Trabalho Eleitoral da Juventude Petista. Na entrevista a companheira fala sobre o papel do jovem na política e sobre as expectativas do partido em relação às candidatura jovens.

Publicada originalmente no blog Juventude em Pauta

Como candidaturas jovens ajudam a desenvolver a consciência dos jovens que são a maioria das faixas de renda em mobilidade social e são, além dos futuros determinados dos padrões societários brasileiros, os formadores de opinião em seus lares?

Os processos eleitorais são espaços de disputa de opinião e valores. De modo geral, candidaturas (e gestões) de esquerda cumprem um papel muito especial, o de desenvolver consciência popular anti-neoliberal, algutinar pessoas a partir da defesa do fortalecimento da esfera pública e das pautas mais libertárias e coletivas. Candidaturas jovens, que também podem expressar essa tarefa, são relevantes por três elementos: redimensionam a representação de um segmento como o de juventude, já que temos cerca de 52 milhões de jovens na faixa entre 14 e 29 anos; trazem consigo a ideia de reencantamento pela política, importante em tempos de novas formas de organização das juventudes; são as porta-vozes da bandeira da nova cultura política, de renovação de métodos. Sabendo que hoje os jovens são mais otimistas e reconhecidamente o principal elo de contato entre os diversos grupos sociais, ter mais candidaturas jovens significa dialogar e influenciar positivamente um número maior de pessoas, é criar mais empatia pela política, principalmente entre os/as jovens.

O que travar esta disputa “de jovem para jovem” pode trazer de avanços políticos e culturais para toda a sociedade brasileira?

Os jovens sempre foram os principais atores sociais de um povo. A história do Brasil, nos principais eventos que construíram sua identidade e memória, por exemplo, não poderia ser contada longe da perspectiva da juventude. Colocar o jovem como agente e objeto dessa disputa ideológica atual simbolizaria desconstruir a política (como a qual concebemos hoje) e torná-la mais dinâmica e inclusiva. O jovem brasileiro discute com muito afinco a temática da democratização do poder, da necessidade de mais instrumentos para o protagonismo, empoderamento e participação popular. Além disso, o que está em jogo para a juventude brasileira é como amadurecer a nossa vida em comunidade, rejeitando o racismo, sexismo e homofobia, enfrentando o debate da mercantilização da vida. Sobretudo, aliado a todos esses aspectos já mencionados, o jovem brasileiro tem muito desejo e vontade de transformação. A esperança, que às vezes esmorece após longo tempo de luta política, transborda na juventude. E essa é a sua principal ferramenta.

Estes foram conceituados pela pesquisa “O sonho brasileiro” com os jovens-ponte, justamente por este perfil de “liderarem” intelectual, informacional e moralmente suas faixas de renda… Sendo assim, a tônica de uma candidatura jovem à prefeitura ou parlamento devem ser os grandes temas locais ou uma agenda mais focada nas políticas públicas de juventude?

É fundamental encontrar um eixo que agregue as principais temáticas, fugindo dessa dicotomia, porque elas devem ser transversais. Além disso, é preciso afirmar que os grandes temas também são assunto de jovem. Então, nossos/as candidatos/as jovens devem empreender uma ação combinada, ressignificando as principais pautas em discussão no país, como educação e trabalho, e relacioná-las com os anseios da juventude. Isso não gera contradição, pelo contrário, soma forças e produz uma agenda convergente entre os diversos atores. Entretanto, se não forem as candidaturas jovens a pautar uma discussão focada na condição juvenil e suas políticas específicas, será que teremos o mesmo alcance e resultado? Não. Podemos contar com aliados/as, mas, no final das contas, seremos nós a disputar o espaço a ser destinado às PPJs. Portanto, é central que as candidaturas jovens dialoguem a nossa pauta, sejam aqueles e aquelas que criem referência nessa discussão e, consequentemente, conquistem mais avanços.

Ser jovem por ser jovem pode significar renovação, mas não necessariamente isso traz junto uma reoxigenação ou atualização programática… Como construir um contexto em que essas candidaturas expressem, ao menos, a visão de uma geração sobre os desafios e soluções para o PT, a esquerda e o país?

Os esforços que temos feito, na Secretaria Nacional da Juventude do PT e no GT Eleitoral, caminham no sentido de criar uma identidade para as candidaturas jovens do PT. Creio que nossa tarefa é traduzir anos de acúmulo nas lutas sociais juvenis, na discussão sobre PPJ no governo federal e nas tarefas partidárias, em plataforma política que tenha muito conteúdo para disputar a juventude brasileira. Queremos candidaturas e parlamentares jovens que tenham conexão com nossa identidade socialista, comprometidos com a defesa da democracia participativa e das discussões que são características do PT, como o feminismo. Tivemos inúmeros e recentes espaços para encontrar uma gramática contemporânea para a juventude petista, como o nosso II Congresso e a Conferência de Juventude. No processo que temos chamado de revolução democrática e na disputa de hegemonia colocada à esquerda brasileira, a juventude tem papel central e é somente com a conjunção de nossas tarefas institucionais ao fortalecimento de nossa ação nos movimentos sociais, que conseguiremos superar os nossos desafios.

Sem comparativos, mas é importante ressaltar, o PMDB planeja lançar mais de 8.000 candidatos jovens às câmaras municipais…Quais articulações estão sendo pensadas para que candidatos jovens do PT sejam realmente viáveis e vitoriosos? Algum critério a ser sugerido para o lançamento de candidaturas jovens?

Nas eleições de 2008, o PT lançou 3.181 jovens candidatos às Câmaras Municipais. Destes, apenas 373 foram eleitos, e menos de 10% são mulheres. Mais um adendo para ilustração: são 417 municípios, só no estado da Bahia! Esses dados mostram que ainda estamos longe de alcançar o patamar que queremos. Nossa meta é dobrar esses números, pelo menos, além de termos mais mulheres, negros e negras como candidatos/as jovens. As maiores dificuldades para a ampliação e viabilidade das candidaturas jovens são a falta de estímulo dos Diretórios Municipal e Estadual; pouco investimento em formação de lideranças jovens; frágeis estruturas de campanha. Precisamos mexer nessas três características. Então, nosso movimento tem sido o de dialogar e pressionar as instâncias partidárias para que apostem na temática de juventude e nas candidaturas jovens. Temos tido êxito, quando por exemplo aprovamos a cota de 20% de jovens nos espaços de direção do Partido, no IV Congresso do PT, ano passado. O que não podemos fazer é parar por aqui, essa é uma ação que não termina em 2012. É pauta permanente da Direção Nacional da JPT, e que precisa ser incorporada por todo o Partido. Ademais, estaremos em Caravana Nacional da JPT até outubro, onde disponibilizaremos, dentre outras coisas, materiais de campanha e subsídio para as nossas candidaturas jovens.

O PT reintroduziu em sua pauta questões da governança local, como o orçamento participativo. O que seria central e concreto para os jovens candidatos a prefeito ou vereador apresentarem?

O PT tem programa de governo contundente para apresentar na disputa eleitoral. Para as candidaturas jovens, é interessante produzir uma plataforma de campanha que dialogue com a defesa do direito de viver a juventude. Esse é um mote amplo, um eixo que permite articular desde as grandes temáticas locais àquelas mais gerais, sobre desenvolvimento econômico ou a vida das mulheres. Nos municípios, é central para a juventude a garantia de educação pública de qualidade, trabalho decente, acesso aos bens culturais, lazer, esportes, combate à violência e mobilidade urbana. Além disso, é preciso ganhar a disputa pela democracia participativa e seus instrumentos, como o orçamento participativo. O/A jovem brasileiro/a quer influenciar, ser agente político nas decisões que mexem com a sua rotina e a de sua cidade. No geral, o que é concreto para nossas candidaturas jovens apresentarem é uma plataforma de esquerda, antenada às políticas acertadas que promovemos nas administrações petistas, com destaque ao fortalecimento da esfera pública contra a hegemonia mercantil e à luta pelo combate às desigualdades sociais.

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